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✏️ Por André Neto, Pre-Sales & Business Developer na IDW
Durante muitos anos, a gestão de TI foi associada estritamente à capacidade de resposta. O modelo era simples: ocorria uma falha, abria-se um ticket, a equipa técnica resolvia o incidente e o processo era encerrado. Este modelo reativo foi suficiente enquanto a tecnologia desempenhava um papel secundário.
Contudo, em março de 2026, a realidade é outra. O IT suporta operações críticas, ambientes híbridos e estratégias de cibersegurança sob exigências regulatórias sem precedentes. Quando a tecnologia se torna a espinha dorsal do negócio, gerir apenas por reação já não é um risco aceitável — é uma falha de governação.
O suporte reativo concentra-se no evento isolado; a gestão de serviços (ITSM - IT Service Management) assenta numa visão integrada. Num modelo estruturado, baseado em boas práticas como ITIL 4, o incidente não é apenas "fechado". Ele é contextualizado:
Resolver rapidamente é importante, mas gerir eficazmente significa aumentar a previsibilidade. Dados de mercado indicam que organizações com processos de ITSM maduros reduzem o tempo de inatividade não planeado em 45% (Fonte: Gartner 2026).
Em muitas organizações, o desafio não é técnico, mas estrutural. Sem processos formais, o conhecimento fica disperso e a rastreabilidade das decisões é limitada. Num enquadramento onde diretivas como NIS2 e DORA exigem controlo e evidência, a maturidade do ITSM passa a integrar a própria estratégia de resiliência organizacional.
Em Portugal, o rigor do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) reforça que a gestão de ativos e incidentes é um requisito auditável. Não ter um histórico claro de quem alterou o quê e porquê, pode hoje resultar em sanções graves.
Ferramentas como o ServiceDesk Plus da ManageEngine são frequentemente subutilizadas como meros sistemas de ticketing. No entanto, quando alinhadas com processos definidos, elas tornam-se o motor da eficiência:
A tecnologia, por si só, não cria maturidade. É a disciplina de gestão que transforma ferramentas em governação efetiva. Segundo a IDC Portugal, empresas que automatizaram os seus fluxos de ITSM em 2025 viram um aumento de 30% na produtividade das equipas de suporte (Fonte: IDC Portugal 2026).
O IT deixou de ser "o suporte". É a infraestrutura crítica de negócio. Como tal, exige processos estruturados, métricas claras e controlo contínuo.
ITSM não é abrir tickets. É estruturar, medir e governar serviços de forma consistente. A diferença entre reagir e gerir é o que define o nível de maturidade e a sobrevivência de uma organização no mercado atual.