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✏️ Por Daniela Santos, Chief Human Resources Officer da IDW
Num mundo cada vez mais interligado, a eclosão de um novo conflito armado não é apenas um tema de geopolítica ou relações internacionais. As suas consequências rapidamente atravessam fronteiras e acabam por chegar também às organizações — através da economia, dos mercados e, inevitavelmente, das pessoas.
A história recente mostra que guerras e tensões geopolíticas provocam efeitos que vão muito além do campo militar: instabilidade económica, pressão sobre os preços da energia e alterações nas cadeias de abastecimento. Mas há um dado que não podemos ignorar em março de 2026: a "inflação da ansiedade". Estudos recentes indicam que cerca de 72% dos colaboradores sentem que a instabilidade global impacta diretamente a sua capacidade de foco e produtividade diária (Fonte: APA 2026).
E essa incerteza não fica à porta das empresas. Os nossos colaboradores acompanham as notícias, sentem o impacto económico no dia-a-dia e questionam naturalmente o futuro. É precisamente neste contexto que sinto que o meu papel, e o de todos os líderes de Recursos Humanos, se torna mais estratégico do que nunca.
Quando falamos de guerra, tendemos a pensar nos impactos mais imediatos: economia, energia, política internacional. No entanto, existe um impacto menos visível mas igualmente relevante — o impacto humano.
A incerteza prolongada pode afetar níveis de motivação e bem-estar psicológico. Em Portugal, este cenário é particularmente crítico: dados da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) de 2026 indicam que cerca de 50% dos trabalhadores já manifestam sinais de esgotamento emocional face à policrise global (Fonte: OPP 2026). No setor tecnológico, onde a exigência é constante, este risco de burnout é 35% superior em períodos de instabilidade (Fonte: Workplace Wellbeing Index). Como líderes, se ignorarmos esta dimensão, corremos o risco de subestimar um fator crítico para a sustentabilidade do negócio: o estado emocional das nossas pessoas.
Num mundo marcado por volatilidade crescente, as empresas são cada vez mais chamadas a desempenhar um papel de estabilização social. Mais do que nunca, os colaboradores procuram organizações que transmitam segurança, clareza e propósito. Num mercado como o português, onde 80% das pessoas admitem que a conjuntura internacional gera um estado de alerta constante sobre o seu futuro económico (Fonte: Barómetro Cetelem 2026), o nosso papel como fator de estabilização torna-se vital.
Na IDW, acredito que isto exige de nós três pilares fundamentais:
Perante cenários de instabilidade global, os Recursos Humanos assumem um papel determinante. Mais do que gerir processos, a nossa função passa por garantir que as empresas mantêm o foco naquilo que realmente sustenta qualquer organização: as pessoas.
Isto implica reforçarmos as nossas práticas de bem-estar, promovermos a confiança interna e garantirmos que as equipas dispõem das condições necessárias para continuar a desempenhar o seu trabalho com estabilidade.
Num mundo cada vez mais imprevisível, a verdadeira vantagem competitiva não está apenas na tecnologia ou na estratégia — está na nossa capacidade de cuidar e mobilizar as nossas pessoas. Talvez a minha verdadeira missão, e a da minha equipa, seja garantir que a IDW continua a ser um lugar de estabilidade, confiança e humanidade.